MONTY PYTON JOHN LURIE STERNE CARNAVAL



o varal

hábitos são hábitos. algumas escovas de dentes ficam na pia, outras dentro do armário. hábitos são roupas, costumes, repertórios de gestos, de vícios familiares, escolhidos meio ao acaso, por comodidade, herança ou falta de bom senso. há um personagem de um conto de virgilio piñera (há sempre um personagem de um conto, mas os de virgilio piñera são melhores) que quando morre vai para o inferno por falta de vagas no céu. e quando enfim a vaga no céu é aberta e o sujeito é convidado a ocupá-la, responde, recusando, com uma pergunta: e quem quer se desfazer de um velho hábito querido?


lourival batista, vulgo cuquinha, vulgo ólbius, com seus costumeiros sensos de inapropriedade e de grandeza, joga com os hábitos, as roupas e as escalas. o varal, essa peça de ironia urbana, já foi pendurado em várias cidades; as fotos que seguem são da mais inusitada delas, no sul da frança. a ostensiva inadequação e o prazer lúdico em executar coisas complexas são o mote deste arranjo nonsense móvel, transportável. e divertido, que é o que basta – porque tem coisas na vida que são importantes.


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gabriel bogossian